O Catálogo do Museu Histórico de Santa Catarina nasceu de uma necessidade antiga: reunir, em um só lugar, as histórias, objetos e obras que fazem parte da memória do nosso Estado. Pode parecer estranho, mas desde que o museu foi criado, lá em 1979, nunca houve uma publicação assim. E olha que já se passaram mais de 40 anos!
O Catálogo do Museu Histórico de Santa Catarina começou a tomar forma durante a minha pesquisa de doutorado em Artes, na UDESC. No meio do caminho, percebi que aquilo que eu estava estudando poderia (e deveria) ser compartilhado com mais gente. Afinal, o acervo do museu, mesmo não sendo tão grande, guarda peças importantes, e até então tudo isso estava espalhado, sem um registro acessível ao público.
A ideia foi justamente essa: criar algo que qualquer pessoa pudesse ler, entender e aproveitar. Não só pesquisadores ou especialistas, mas também professores, estudantes, visitantes e até quem nunca pisou no museu. É uma forma de abrir as portas do Palácio Cruz e Souza para quem quiser conhecer um pouco mais dessa história.
Neste artigo, vou te contar como eo Catálogo do Museu Histórico de Santa Catarina foi feito, por que ele é importante e, claro, mostrar como você pode acessá-lo gratuitamente. Porque conhecer museus, mesmo à distância, é uma das maneiras mais ricas e agradáveis de entender o mundo ao nosso redor — e também a nós mesmos.
Por que criar um catálogo para o Museu Histórico de Santa Catarina?
A ideia de criar o Catálogo do Museu Histórico de Santa Catarina surgiu da constatação de algo bem simples: apesar de o Museu Histórico de Santa Catarina existir há mais de quatro décadas, nunca houve uma publicação que reunisse, de forma clara e acessível, os itens do seu acervo. Tudo estava ali, mas disperso — e, muitas vezes, longe do olhar do público.
O acervo do museu não é enorme, é verdade. Mas isso não tira seu valor. Pelo contrário: ele guarda obras de arte, objetos e documentos que ajudam a contar a história de Santa Catarina de um jeito muito mais visual, direto e envolvente. E, por mais que essas peças estejam fisicamente no Palácio Cruz e Souza, nem todo mundo consegue ir até lá para vê-las de perto.
Foi aí que surgiu a vontade de tornar esse conteúdo acessível para mais gente. Primeiro, o formato impresso do Catálogo do Museu Histórico de Santa Catarina — pensado com carinho para bibliotecas, escolas e pesquisadores. E agora, também em versão digital, gratuita, para que qualquer pessoa possa acessar de onde estiver, sem precisar sair de casa.
O catálogo é uma forma de democratizar o acesso à memória. De colocar na mão das pessoas (literalmente) um pedacinho da história do nosso Estado. Ele não é só uma lista de objetos — é um convite à curiosidade, ao conhecimento e à valorização do que é nosso.
O processo de produção do Catálogo do Museu Histórico de Santa Catarina: dos bastidores à publicação
A ideia de criar o catálogo não veio do nada. Ela nasceu dentro da universidade, mais precisamente durante a pesquisa para minha tese de doutorado, chamada As Pinturas de Cavalete do Museu Histórico de Santa Catarina. Ao mergulhar nesse tema, percebi que havia uma lacuna importante: o acervo do museu, embora significativo, não estava reunido em um material de fácil acesso para o público.
Em uma das conversas com minha orientadora, a Professora Doutora Sandra Makowiecky, compartilhei essa percepção — e ela logo demonstrou interesse em transformar a ideia em algo concreto: um catálogo que pudesse reunir e apresentar o acervo do museu de forma acessível. A partir daí, o que era apenas uma inquietação virou um projeto real.
Com o apoio da restauradora responsável pelo museu na época, a Doutora Márcia Regina Escorteganha, e com o olhar atento e criativo do museólogo Eugênio Pelegrin, o projeto começou a ganhar forma. Eugênio, aliás, foi peça-chave: além de colaborar com conteúdo e estrutura, foi ele quem diagramou o arquivo — e fez isso com um cuidado estético que deixou o resultado ainda mais bonito e funcional.
A pesquisa, que começou focada nas pinturas de cavalete, se expandiu. Organizamos o conteúdo de maneira que fizesse sentido não só para pesquisadores, mas também para qualquer pessoa interessada em conhecer melhor o acervo do Museu Histórico de Santa Catarina.
Pensamos numa linguagem simples, direta, com explicações claras e um visual agradável. O catálogo foi feito para ser lido com tranquilidade — como quem passeia pelas salas do museu, observando cada detalhe com calma e curiosidade.
A publicação foi feita pela Editora da Associação dos Arte Educadores de Santa Catarina (AAESC), e o lançamento oficial do Catálogo do Museu Histórico de Santa Catarina aconteceu na sede do Museu Histórico de Santa Catarina, no Palácio Cruz e Souza, no dia 20 de março de 2024.
O que você vai encontrar no Catálogo do Museu Histórico de Santa Catarina
O Catálogo do Museu Histórico de Santa Catarina foi pensado para ser mais do que um simples registro. Ele funciona como um verdadeiro mapa visual e narrativo do acervo do Museu Histórico de Santa Catarina, guiando o leitor por obras, objetos e histórias que compõem a memória coletiva do nosso Estado.
Logo de início, há uma apresentação institucional e uma contextualização histórica do próprio museu e do seu acervo. Em seguida, o leitor é conduzido por uma jornada que passa pela criação do MHSC, pelos procedimentos de conservação e restauro das obras, e por estudos mais técnicos e aprofundados sobre peças específicas — como o trabalho arqueométrico e de restauração da pintura Tobias e o Anjo.
A seção central, chamada simplesmente de “O Catálogo”, reúne as pinturas de cavalete, desenhos, esculturas, mapas e fotografias pertencentes ao acervo. Os nomes dos artistas são organizados em ordem alfabética, permitindo ao leitor navegar com facilidade. É possível conhecer obras de artistas como Louis Auguste Moreaux, Guttmann bicho, Sebastião Vieira Fernandes, Dakir Parreiras, Martinho de Haro, entre muitos outros — além de obras de autores não identificados, o que também revela os vazios e as lacunas da memória institucional.
Há ainda seções específicas dedicadas a retratos de governadores e esculturas, com registros fotográficos e informações técnicas sobre cada peça. Tudo isso acompanhado por uma linguagem acessível, que busca explicar sem complicar — justamente para que o material seja útil para pesquisadores, professores, estudantes e curiosos em geral.
O Catálogo do Museu Histórico de Santa Catarina também dialoga com o espaço físico do museu, localizado no Palácio Cruz e Souza, ao propor um olhar mais atento às obras que compõem sua ambientação. Muitas das peças catalogadas estão expostas nas salas do palácio, e essa conexão entre o que está no papel e o que pode ser visto presencialmente ajuda o visitante a criar uma experiência mais completa e significativa.
Por fim, há ainda seções com referências bibliográficas, glossário e algumas palavras finais, que fecham a publicação com um convite à reflexão sobre a importância de preservar e compartilhar o patrimônio cultural.
Para quem é o Catálogo do Museu Histórico de Santa Catarina
Se você é estudante, professor, pesquisador ou simplesmente alguém curioso por história e cultura, o Catálogo do Museu Histórico de Santa Catarina é pra você. Ele foi pensado justamente para alcançar diferentes públicos — desde quem já tem familiaridade com o acervo do museu até quem está descobrindo tudo isso agora pela primeira vez.
Por reunir informações bem-organizadas e de fácil compreensão, o catálogo pode ser usado tranquilamente em sala de aula, como material de apoio para professores que desejam abordar temas ligados à arte, à história de Santa Catarina ou ao patrimônio cultural. É também uma ótima ferramenta para estudos locais, ajudando a aproximar os alunos da realidade histórica do próprio Estado.
Além disso, o Catálogo do Museu Histórico de Santa Catarina pode servir como ponto de partida para roteiros turísticos culturais, enriquecendo a experiência de quem visita o Palácio Cruz e Souza ou se interessa por museus e espaços históricos. Já para os pesquisadores, o catálogo oferece informações organizadas e atualizadas sobre o acervo, com referências úteis para aprofundar os estudos.
E mesmo quem não tem ligação direta com a área, mas gosta de descobrir coisas novas, vai encontrar aqui uma forma leve e interessante de conhecer parte importante da nossa memória. Em outras palavras: o catálogo é pra todo mundo que acredita que história, arte e cultura devem estar ao alcance de todos.
Um passo importante para a preservação e difusão da memória catarinense
Publicações como este catálogo não são apenas registros — são gestos concretos de preservação da memória. Em um mundo onde tudo muda tão rápido, parar para olhar com atenção para o passado é um ato necessário. E mais do que isso: é um compromisso com o futuro.
Reunir, organizar e tornar público o acervo do Museu Histórico de Santa Catarina é uma forma de valorizar aquilo que nos conecta enquanto sociedade. O catálogo aproxima o museu das pessoas, quebra aquela ideia de que patrimônio histórico é algo distante ou só para especialistas. Ele mostra que essas obras, objetos e histórias pertencem a todos nós.
Na era digital, esse tipo de iniciativa também ganha um alcance muito maior. Ao disponibilizar o catálogo online, o museu amplia seu diálogo com o público, ultrapassando os limites físicos do Palácio Cruz e Souza e chegando a quem talvez nunca tenha visitado o espaço. Isso fortalece o papel das instituições culturais como agentes ativos na produção de conhecimento e no acesso à informação.
Criar um catálogo como este é, portanto, um passo importante para manter viva a história de Santa Catarina. E mais do que guardar memórias, ele abre caminhos para novas leituras, interpretações e descobertas — algo essencial em qualquer tempo.
Baixe gratuitamente o Catálogo do Museu Histórico de Santa Catarina
Se você chegou até aqui, já percebeu que este catálogo é uma oportunidade rara de conhecer mais de perto o acervo do museu e mergulhar na história de Santa Catarina. E o melhor: ele está disponível gratuitamente em versão digital.
Você pode fazer o download agora mesmo, em formato PDF, direto no link abaixo:
→ Baixar o Catálogo do Museu Histórico de Santa Catarina (PDF)
A leitura pode ser feita no computador, tablet ou celular, e você pode compartilhar o arquivo com quem quiser. Professores, estudantes, amigos, colegas de trabalho — quanto mais gente tiver acesso, melhor. Afinal, cultura e conhecimento são ainda mais valiosos quando circulam.
Ah, e se você gosta de ter o material em mãos, vale saber que também existe uma versão impressa, disponível para consulta no próprio Museu Histórico de Santa Catarina, no Palácio Cruz e Souza.
Aproveite o conteúdo, explore as obras, e se puder, compartilhe essa iniciativa. Assim, a memória catarinense continua viva — e mais perto de todos.
Errata: porque toda pesquisa é um caminho em aberto
Como todo trabalho que lida com memória, história e documentação, o Catálogo do Museu Histórico de Santa Catarina também está sujeito a revisões — e isso faz parte natural do processo de pesquisa. Desde sua publicação, novas informações vieram à tona e algumas correções importantes precisam ser registradas.
A principal delas diz respeito a um dos retratos atribuídos no catálogo. A obra realizada por Martinho de Haro, identificada como sendo do secretário Fernando Ferreira de Mello, na verdade retrata Vidal Ramos Júnior. O equívoco foi consequência de um erro na documentação interna do acervo, e só foi notado graças à observação atenta de um leitor, pouco tempo após o catálogo ter sido impresso e distribuído. É importante lembrar que esse tipo de erro acontece, especialmente quando se trata de um acervo que ficou tanto tempo sem organização formal de seus registros.
Esse mesmo cenário ajuda a explicar outras incoerências de datação encontradas posteriormente:
- As pinturas de Louis Auguste Moreaux, que retratam o Barão de Schneeburg, João Pinto da Luz e Jacinto José da Luz, aparecem no catálogo com data de 1885 — a mesma registrada oficialmente pelo MHSC. No entanto, o artista faleceu em 1877, o que impossibilita a autoria nesse ano.
- O mesmo acontece com a pintura de Ferdinand Krumholz, que representa o Comendador Duarte Silva, também datada de 1885, embora o artista tenha falecido em 1878.
- Já o retrato do Almirante Lamego, de autor desconhecido, também tem data de 1885. Embora o autor não tenha sido identificado, a data levanta suspeitas e sugere que esse também possa ser um erro de registro.
Essas correções ainda não constam no catálogo impresso, pois só foram identificadas após sua publicação. E é justamente por isso que todo trabalho de pesquisa permanece em aberto: novos olhares, descobertas e cruzamentos de dados podem — e devem — corrigir e enriquecer o que já foi feito.
Se, ao consultar o catálogo, você identificar alguma informação que possa contribuir para o aperfeiçoamento desse levantamento, saiba que sua colaboração é muito bem-vinda. Afinal, preservar a memória é também um trabalho coletivo — e contínuo.
Mais do que um fim, um começo
Criar o Catálogo do Museu Histórico de Santa Catarina foi muito mais do que organizar um conjunto de obras em um documento — foi um esforço coletivo para valorizar a memória, ampliar o acesso ao acervo e aproximar o museu das pessoas. Depois de mais de 40 anos sem uma publicação desse tipo, ele chega como um registro necessário, mas também como um gesto de cuidado com a nossa história.
Se você leu até aqui, fica meu sincero agradecimento. Em um tempo em que tudo parece tão imediato e passageiro, dedicar alguns minutos para conhecer um projeto como este é, por si só, um ato de resistência cultural.
E se esse catálogo despertou sua curiosidade, te ensinou algo novo ou simplesmente fez você lembrar de algo importante, ele já cumpriu parte de sua missão.
O arquivo está disponível gratuitamente. É só clicar no link e baixar:
→ Baixar o Catálogo do Museu Histórico de Santa Catarina (PDF)
Boa leitura — e que essas páginas ajudem a manter vivas as histórias que nos trouxeram até aqui